Conselho de Cultura dá parecer favorável ao tombamento do Terreiro de Pai Jorge

Por Fábio Sena / 04.06.2020 às 10:13

Pai Jorge, Babalorixá.

Pai Jorge, Babalorixá.

Em reunião virtual extraordinária realizada na noite desta quarta-feira (3), o Conselho Municipal de Cultura de Vitória da Conquista emitiu parecer favorável – por unanimidade – ao requerimento para Tombamento e Registro Municipal do Terreiro de Candomblé Lojereci Nação Ijesá (Ilê Asé ABC Alaketu), como Patrimônio Cultural e Histórico. A solicitação partiu do sacerdote, Babalorixá Pai Jorge de Logun-Edé.

“O terreiro tem uma particularidade: apresenta com clareza a distribuição das funções rituais no terreno natural, coisa que os terreiros urbanos perderam muito. Os terreiros em geral têm imenso valor, mas foram sendo apertados pelas construções e perderam espaço”, diz a presidenta licenciada do Conselho, a historiadora e memorialista Maris Stella Schiavo Novaes. “O tombamento, além de proteger a integridade do imóvel, garante que ele não seja invadido ou o espaço seja ocupado”, acrescenta.

A Profª Antonieta Miguel, coordenadora da equipe que elaborou o Dossiê de Tombamento e Registro, reforça que, “além das práticas religiosas, os terreiros também são representados como espaços de luta e resistência do povo negro, além da disseminação da cultura africana”, acrescentando que “são considerados espaços de reprodução das matrizes africanas e sua interação com outras matrizes. E, Vitória da Conquista é atravessada por essas identidades afro-indígenas em sua formação enquanto povo”.

Em parecer, o Conselho Municipal de Cultura reforça que ações como esta caminham no reconhecimento da importância dos grupos populares formadores de Vitória da Conquista, o que contribui para fortalecer a proteção e estímulo a preservação do Patrimônio Cultural nas esferas Estadual e Nacional.

“Como ato político, o Tombamento e Registro do Terreiro de Candomblé Lojereci Nação Ijesá (Ilê Asé ABC Alaketu), revela a importância comunitária e constitui um gesto de reparação histórica às manifestações das religiões de matriz afro-indígena, garantindo total relevância ao direito às identidades de ancestralidade e memórias como legados que legitimam a consolidação do reconhecimento do lugar de sujeito às classes populares e de grupos invisibilizados que formam nossa sociedade”, enfatiza Maris Stella Schiavo Novaes.

Agora o parecer do Conselho Municipal de Cultura segue ao Poder Executivo para Decreto Municipal de Tombamento e Registro como Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural com publicação em Diário Oficial e adequada inscrição nos livros de Tombo e Registro Municipal ao Terreiro de Candomblé Lojereci Nação Ijesá (Ilê Asé ABC Alaketu), que passa a ser o primeiro Terreuro de Candomblé com Tombamento e Registro em Vitória da Conquista

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