Vem Neném Online debate mitos e verdades sobre partos

Por Fábio Sena / 06.05.2020 às 04:46

O Grupo de Trabalho de Humanização (GTH) da Fundação Pública de Saúde de Vitória da Conquista realizou mais uma live do projeto “Vem Neném Online, levado ao ar todas às terças e quintas pelo Instagram através do perfil @gthfsvc. Ontem (5), o tema foi “Tipos de parto, mitos e verdades, sinais e alerta de trabalho de parto” e teve como entrevistada a enfermeira Adriana Luz, coordenadora do ambulatório e do Centro de Diagnóstico por Imagem/CDI do Hospital Esaú Matos. A live foi mediada pela psicóloga Sabrina Aguiar.

Adriana falou sobre dúvidas recorrentes como: “mulheres que já tiveram uma cesárea podem ter parto normal?”, ou “em todo parto normal/vaginal é necessária a episiotomia (corte cirúrgico no períneo)? “Circular de cordão umbilical é indicativo de parto cesáreo?”. “A cesariana dói menos”? “Na maioria das vezes, esses mitos geram muito mais ansiedade do que deveriam realmente. Isso acontece por uma falta de conhecimento e muitas vezes por questões culturais e relatos de experiências não tão boas, potencializando esse medo e ansiedade no que diz respeito ao parto”.

A enfermeira discorreu principalmente sobre o conceito de parto humanizado, o parto normal. Segundo Adriana Luz, há todo um movimento para garantia de uma assistência humanizada às mulheres que fazem o parto por via vaginal, eliminando intervenções desnecessárias. “Antigamente existiam as parteiras, que faziam o papel do médico, tratando a mulher com todas as suas crenças e valores. Não havia medicamentos para viabilizar o parto, nem ferramentas, era da forma mais natural. Isso foi-se perdendo com o processo de hospitalização e o parto passou a ser tratado como algo patológico”, esclareceu a enfermeira.

Adriana Luz lamentou o fato de o Brasil ser um dos países que mais intervenções realiza nos trabalhos de parto. “A mulher passou de protagonista a participante do parto, com muitas intervenções desnecessárias”, argumentou. Mas ressaltou o fato de ser crescente o uso do método de assistência de parto humanizado, “de olhar a mulher com sua individualidade, suas necessidades e particularidades”.

Segundo ela, essas boas práticas incluem, por exemplo, a presença de acompanhante durante o parto, para conforto emocional, com as intervenções rotineiras sendo bastante reduzidas. A profissional fez questão de afirmar que as mudanças decorreram de pesquisas no campo obstétrico. “Não foi fruto de uma idealização, mas de evidências científicas”.

O GTH da Fundação de Saúde realiza palestras, cursos, encontros e rodas de conversas sobre vários assuntos, sempre com uma linguagem acessível e buscando disseminar informações úteis para os pais, mães e parentes. Com o Vem Neném, gestantes e futuros papais têm a oportunidade de conversar com profissionais do Hospital Municipal Materno-Infantil Esaú Matos sobre alguns temas importantes para a gestação, como plano de parto, parto humanizado, métodos não farmacológicos para alívio da dor e sobre o trabalho das doulas voluntárias.“Nossa proposta é criar um ambiente acolhedor para essa criança que está chegando”, finaliza Lauriely Barreto.

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