A Vala Comum e Rasa da Lava Jato

Por Fábio Sena em 23.02.2021 às 12:54

Luiz Henrique

Luiz Henrique

Luiz Henrique Machado de Paula

“Justiça é virgem nascida de Zeus,
nobre e venerável para os deuses que habitam o Olimpo;
e toda vez que alguém a fere, acusando tortamente,
imediatamente ela senta-se ao lado de Zeus pai, filho de Cronos,
e canta os intentos injustos dos homens, para que pague
o povo pela arrogância dos reis que, tramando ruínas,
desviam a justiça de seu caminho, a falar tortamente.”

(HESÍODO, Os Trabalhos e os Dias)

A Operação Spoofing desnudou o que todos os operadores do direito, (aqueles atentos), já sabiam: a lava jato foi a maior obra de lawfare[i] já realizada no Brasil. Utilizou-se de uma aparência de ação conforme o direito para alcançar, não a justiça, mas um projeto político.

O material apreendido pela Polícia Federal (milhares de horas de conversas entre o acusador e o “juiz imparcial”), revela que a lava jato utilizou-se das mesmas técnicas dos hackers presos na spoofing.

Ora, quando um hacker se faz passar por outra pessoa ou por uma empresa legítima, para destas subtrair dados, prejudicar sistemas ou espalhar malwares[ii], esse ataque virtual é chamado de spoofing.

E o que foi a lava jato? Uma operação conforme o direito? Não, foi uma armação entre acusador e “juiz” (seriam “conges”?), um spoofing no mundo jurídico para subtrair direitos e angariar vantagens de ordem política e econômica.

O “juiz” foi logo para o Ministério da Justiça do governo que ajudou a eleger. Era seu trampolim para o STF (que graças a Deus se quebrou). Diz que não será candidato, isso até registrar a sua candidatura. É esperar para ver.

Os valores que o acusador diz que recuperou, quer gerir por meio de uma Fundação, que seria, com certeza, administrada com a mesma transparência e ética que administrou a lava jato.

Acusadores vendem suas palestras de salvadores do País e do Universo para grandes empresas, as CIAs que lucram com os ataques feitos às indústrias e pessoas que não fazem parte da CIA.

A audácia dos acusadores e do “juiz” foi tão grande (viviam a ilusão que ser da república de Curitiba bastaria) que nunca fizeram questão de enterrar, um pouco mais fundo, as provas do lawfare. Talvez pelo fato de que manejam o direito sem a necessidade de provas ou por já terem perdido a vergonha na cara (como confessa o acusador).  A vala comum das ilicitudes da operação lava jato é rasa, tão rasa que não impediu que o cheiro da podridão fosse sentido antes da exumação das mensagens.

Com as tripas expostas no The New York Times como o maior escândalo judicial da história brasileira, cobrindo de vergonha os regimes totalitários, amadores na manipulação da justiça, a lava jato se desfaz não como um castelo de areia, mas como uma barragem que se rompe numa avalanche de lama que suja parte do Poder Judiciário e do Ministério Público, soterra a Constituição, o Estado Democrático de Direito e a esperança do povo brasileiro. Do outro lado, naquela outra república (lá, no sul maravilha), a Vara regozija-se, pois a lama só é suja para quem não tem o costume de nela chafurdar.

Resta um resto de esperança no STF.

Ouve agora o direito e afasta de tua mente o uso da violência!
Pois Cronos distribuiu uma tal lei aos seres humanos:Talvez os peixes, os
animais selvagens e os pássaros emplumados devessem devorar uns aos outros,
pois entre eles não há o direito
Mas ele concedeu o direito aos seres humanos,
de longe, como o melhor de todos os bens”.

(HESÍODO, Os Trabalhos e os Dias)

[i] Uso ou manipulação das leis como um instrumento de combate a um oponente desrespeitando os procedimentos legais e os direitos do indivíduo que se pretende eliminar.

[ii] Programas de computador, maliciosos, utilizados para se infiltrar num sistema e causar danos, modificar dados ou subtrair informações.

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