ENTREVISTA COLETIVA: A história indígena contra o mito fundador de Vitória da Conquista

Por Fábio Sena em 09.08.2020 às 11:14

Seu Jesulino (In memoriam). Foto Afonso Silvestre.

A historiadora Renata Ferreira de Oliveira assumiu as rédeas de um formidável empreendimento intelectual, uma ousada iniciativa que deverá tornar-se um marco para a historiografia local, mas, sobretudo, poderá significar a possibilidade da tomada coletiva de consciência sobre o lugar dos povos originários na história do território denominado Planalto da Conquista, na Bahia.

Subordinados ao esquecimento pela historiografia “oficial”, os povos originários deste território foram literalmente apagados da história de Vitória da Conquista, ou aparecem como meros obstáculos a serem transpostos para emprestar heroísmo aos joãos conquistadores coloniais, proverbiais pais-fundadores de nossa civilidade sertaneja, dignos inclusive de amparo de uma santa do firmamento.

Com seu livro recém-lançado – Índios Paneleiros do Planalto de Conquista, do massacre e o (quase) extermínio aos dias atuais –, Renata Oliveira se propõe não apenas ao resgate da história pretérita desses povos, mas à afirmação de seus descendentes na contemporaneidade. Trata-se, portanto, de uma obra que, como bem descreve a autora nesta entrevista, deve servir de instrumento às lutas atuais dos povos indígenas.

Em função da importância do tema em tela para os descendentes indígenas, pesquisadores, historiadores, ativistas sociais e comunidade em geral, o Blog do Fábio Sena convidou estudiosos para uma autêntica entrevista coletiva com a historiadora Renata Oliveira. Assim, buscou-se alcançar, como resultado final, um conteúdo que atendesse aos interesses mais gerais, aos vários olhares.

FÁBIO SENA: Quem é Renata Oliveira, além de historiadora…
RENATA OLIVEIRA: Sou natural de Vitória da Conquista, porém, criada até os 19 anos às margens do rio Pardo, em Cândido Sales, Bahia. Filha de pedreiro e dona de casa, estudei a vida inteira em escola pública. Desenvolvi desde cedo curiosidade acerca de histórias e contos, sobretudo os que me foram narrados por minha avó materna e por meu tio, esse último considerado o “homem memória” da minha família. Ainda adolescente, também desenvolvi o gosto pela escrita de contos. Depois de adulta, além da história e da literatura, sou apaixonada por viajar de mochila para conhecer um pouco da cultura de outros povos. Ainda, me considero feminista e ativista social. Atuei por vários anos na Comissão Pastoral da Terra, onde aprendi a importância das lutas sociais para um Brasil mais justo e igualitário.

FÁBIO SENA: Os povos originários sempre gravitaram na periferia da narrativa histórica local, sendo bastante perceptível uma tentativa de construção de uma memória heroica do colonizador português, que se evidencia, entre outras coisas, na narrativa da vitoriosa batalha final, com uma catedral erguida em nome da santa que teria guiado esta vitória contra os índios. Na sua visão, demorou para que a historiografia local se debruçasse no resgate desta parte essencial de nossa história?

RENATA OLIVEIRA: Habitualmente, a história local é narrada a partir de dois fatos que considero “mitos fundadores” por não haver sustentação na documentação histórica sobre Vitória da Conquista. São eles: O banquete da morte e a batalha final ocorrida entre 300 indígenas Mongoyós e 50 soldados da tropa de João Gonçalves da Costa. A narrativa acerca dessa batalha diz que João Gonçalves da Costa e João da Silva Guimarães (esse último havia morrido na região de Minas Novas em 1764 e não esteve na mesma bandeira expedicionária que João Gonçalves da Costa; não há na historiografia relação estabelecida entre eles) teriam seguido os indígenas até o lugar que se convencionou chamar de Batalha, porém, em algum momento da luta, os soldados pensaram em ceder a vitória aos Mongoyós, foi então que, em meio a iminente derrota, prometeu elevar no local uma capela a nossa Senhora das Vitórias, se vencesse a guerra. “Iluminado” pela santa, teria, ao final de poucas horas, exterminado os 300 indígenas. A partir daí, nasceu o Arraial da Conquista. Quero destacar que no início do século XIX o príncipe Maximiliano Wied Neuwied descreveu o arraial como sendo bastante pequeno, habitado pela família de Gonçalves da Costa e por índios que eram hostilizados pelos homens do lugar. Ou seja, os indígenas permaneceram aqui e em muitos casos foram escravizados pelos agentes coloniais. Já o banquete da morte ocorreu porque os Mongoyós não foram derrotados totalmente na Batalha, eles continuaram reagindo, “atacando” os brancos às margens do Rio Verruga, por isso, o capitão-mor, João Gonçalves da Costa, os teria convidado para “fazer a paz” e oferecido a eles um banquete. Durante o festim, os indígenas teriam sido embriagados enquanto os homens do capitão-mor cortavam as cordas dos arcos para que não pudesse haver reação do lado indígena. Nessa noite, todos os Mongoyós que estavam no banquete teriam sido mortos. Assim, nas obras históricas acerca de Vitória da Conquista ambos os mitos são difundidos e por vezes ressignificados para evidenciar a ausência indígena da cidade e arredores, o que favoreceu a tomada das terras nativas. O banquete da morte, ou melhor dizendo, os vários banquetes da morte, nada mais fora do que uma das muitas táticas coloniais utilizadas pelos agentes colonizadores para massacrar os indígenas em todos os cantos do Brasil. A embriaguês, o envenenamento de nascentes, as emboscadas, as restrições para caçar e pescar foram artifícios largamente utilizado contra os indígenas, porém, em Vitória da Conquista, a não ser na narrativa oficial de fundação da cidade, não há evidências que comprovem a existência de um banquete ocorrido na Praça Tancredo Neves. Ouso afirmar que existiram inúmeros banquetes ao longo da “conquista” das aldeias Mongoyós. Por sua vez, o mito de Nossa Senhora das Vitórias que entra na guerra do lado dos colonizadores contra os indígenas não é uma peculiaridade de Vitória da Conquista: podemos encontrá-lo mesmo aqui perto, em Ilhéus, na história da Igreja de Nossa Senhora das Vitórias de lá. Assim, penso que o mito tem um papel importante na construção da história de um povo, mas no caso de Vitória da Conquista ele contribuiu para o apagamento da participação e da presença indígena no Planto da Conquista e estabeleceu que a cidade cujo nome evidencia a “vitória” sobre os povos nativos, cuja santa padroeira também representa esse aspecto, é o lugar do branco “civilizador”. Já a Batalha, lugar da aldeia Mongoyó, é o espaço indígena lembrado sobretudo por uma guerra de extermínio. A história sobre isso apenas começou a se despontar.

GILSON SOARES (historiador/professor): No seu estudo, foi possível identificar se havia aldeias nesta área central de Vitória da Conquista ou os nativos apenas transitavam no cotidiano da caça, pesca e coleta? O estágio de desenvolvimento técnico dos nossos nativos tem uma classificação Ou estavam, no momento da chegada do invasor, ainda como caçadores e coletores? O desenvolvimento da arte ceramista é suficiente como indicativo de um estágio superior de organização social?

RENATA OLIVEIRA: O Planalto Conquistense possuiu aldeias Mongoyós às margens do Rio Verruga, mas não possuiu aldeamentos catequéticos. Esses foram erguidos ao longo dos rios Catolé, Catolezinho e Pardo. O território de Vitória da Conquista era costumeiramente mais utilizado pelos Mongoyós para caça e coleta. Há uma fazenda famosa aqui chamada Jibóia, lá havia uma aldeia em estágio avançado de contato. Os indígenas (Mongoyós) haviam se tornado agricultores e ceramistas. Nos documentos históricos, sobretudo os produzidos por João Gonçalves da Costa e posteriormente por seu filho, o então juiz de paz, Antônio Dias de Miranda, constam que os Mongoyós estavam em um processo mais acelerado de integração por terem aprendido as técnicas agrícolas desde os seus primeiros contatos no século XVIII, no litoral, com colonizadores, além de serem exímios ceramistas, porém as duas outras etnias que também circulavam por esse território eram consideradas mais “bravias” ou seja, os Botocudos e os Patachós. Os Botocudos eram exímios canoeiros, preferiam viver às margens dos rios Catolé, Catolezinho, principalmente Rio Pardo. Os Patachós eram os mais arredios, considerados “selvagens” até os primeiros anos da República, quando ainda vagavam pelas matas entre Vitória da Conquista e Ilhéus. A cerâmica é um dos grandes fatos que definem o grau de desenvolvimento social de um grupo, pois era considerada como atividade “requintada”, principalmente pelos viajantes.

Renata com a cacique Maria Elza

MATHEUS SILVEIRA LIMA (Cientista político/professor): Até que ponto é possível seguir uma linha de conjecturas de que o colonizador ibérico e sua obra de ocupação de regiões como a que você estuda seriam o resultado da adaptação à experiência do colonizado? Que tipo de integração e aprendizagem conviveu com a guerra, domínio e a escravização? Finamente, como conciliar as estratégias de adaptação ao meio, supondo uma aquisição racionalizadora de conhecimentos de geografia física e de botânica, com o conceito consagrado de Sérgio Buarque de Holanda, de que os portugueses teriam sido semeadores, não seguindo assim uma plano racional pré-definido?

RENATA OLIVEIRA: Considero que o empreendimento português de colonização no território que se tornou o Brasil está baseado estrategicamente na tentativa de dominação dos povos nativos e se revelou ainda mais eficaz com o advento das bandeiras expansionistas, cujo intuito era a obtenção de riquezas minerais e mais tarde a posse da terra. Porém, é possível perceber que houve um processo de troca mútua evidenciada entre os povos indígenas e os agentes coloniais. Da parte dos agentes, era preciso conhecer os interiores das matas, mapear os rios, derrubar florestas, encontrar metais preciosos. Sem a ajuda dos indígenas teria sido muito mais difícil. Já para os indígenas, a questão era manter seus territórios intocáveis, empreender guerras contra grupos historicamente rivais, garantir a permanência de sua comunidade. Por essa razão, as alianças foram uma das estratégias de ambas as partes. No entanto, com a própria adaptação dos agentes coloniais ao território em expansão, os indígenas passaram, em muitos casos, a serem vistos como mão de obra em potencial para a navegação, para a derrubada das matas, abertura de estradas, etc. Não por acaso, os aldeamentos catequéticos eram posicionados em locais de fácil acesso à mão de obra indígena, que costumeiramente fora arrendada para o Estado ou para particulares, pelos padres que os administravam. Além disso, quando a questão da terra entra em cena, o Estado português e depois brasileiro precisou criar todo um aparato jurídico para justificar o confinamento indígena em aldeamentos. Dessa forma, os territórios tradicionais poderiam ser liberados para as frentes de expansão agrícolas, pecuárias, de colonização nacional e estrangeira. Todavia, os próprios indígenas encontraram nos meandros dessas leis brechas que em algumas ocasiões os favoreciam. Ou seja, eles também aprenderam como utilizar o aparato do Estado para a sua proteção.

GRAZIELE NOVATO (Historiadora/professora): Na sua visão, qual a importância desta obra tem para Vitória da Conquista bem como para a comunidade da Batalha? Até onde você gostaria que esta pesquisa chegasse, que públicos você gostaria de atingir. E mais: sua pesquisa seria viável enquanto livro didático para servir à comunidade escolar local?

Renata e Dona Alriza

RENATA OLIVEIRA: O livro é uma importante contribuição para o reconhecimento dos povos indígenas da Batalha, tanto pela sociedade conquistense, quanto baiana e brasileira. Além de ser um instrumento que pode facilitar o  próprio trabalho da FUNAI quando realizar o laudo técnico acerca da presença indígena nesse território. Já para a historiografia, o livro impacta no processo de escrita da história da região porque reivindica o lugar dos indígenas na formação da sociedade conquistense. Espero que essa obra atinja a maior diversidade de público possível, porém desejo que chegue sobretudo entre os povos indígenas em processo de retomada étnica, para que, por meio da experiência da Batalha, possam organizar a luta em prol do reconhecimento de suas comunidades. Ainda, espero atingir um público de professores da cidade de Vitória da Conquista e região, para que considerem as memórias da Batalha como instrumento para uma educação na qual a história da cidade seja estudada também a partir da perspectiva indígena. E assim acredito que o próximo passo é buscar parcerias para que essa obra torne-se didática e acessível às escolas e à formação de professores do município de Vitória da Conquista.

PAULA BABILÔNIA (Historiadora/professora): Renata, do ponto de vista das fontes documentais, quais desafios você enfrentou, já que a história dos povos indígenas é tão invisibilizada, tanto na historiografia e no imaginário popular?

RENATA OLIVEIRA: Há uma vastidão de fontes acerca dos povos indígenas baianos espalhadas em vários arquivos sem a menor organização possível. Por exemplo, encontrei no arquivo do fórum João Mangabeira dois importantes processos crimes contra indígenas ocorridos na Imperial Vila da Vitória durante a segunda metade do século XIX, mas não havia a menor sinalização desses documentos no arquivo; precisei passar várias semanas “garimpando” caixa por caixa, documento por documento, e só me foi possível ter acesso a esses dois. Já no Arquivo Público do Estado da Bahia há instrumentos que facilitaram a pesquisa, porém não deram conta dela, por isso, precisei acessar os arquivos da Biblioteca Nacional e trabalhar com uma imensidão de Jornais locais, onde encontrei registros importantíssimos sobre a presença indígena aqui. Mas, foi a memória do grupo, e eu a tratei com todo o rigor do método, como documento tão valioso quanto os produzidos historicamente, que me permitiu preencher as lacunas deixadas pelos registros escritos e sobretudo me permitiu afirmar essa presença indígena em Vitória da Conquista na contemporaneidade.

ALEXANDRE TAVARES (Engenheiro Agrônomo/ambientalista): Existem aldeamentos reconhecidos pela Funai no território do Planalto da Conquista?

RENATA OLIVEIRA: Em Vitória da Conquista existem três pedidos de aldeias: a dos indígenas tupinambás, que migraram para cá em 2015, vindos do Sul da Bahia, chefiados pelo cacique Curiango. A Funai conhece esse caso. Existe a retomada da Batalha dos indígenas Paneleiros Mongoyós (tema do livro); as terras reivindicadas são as dessa mesma região. A Funai ja foi notificada, bem como o Ministério Público e o poder municipal. E ainda existe a retomada da aldeia Sol Nascente dos indígenas Kamacã; a Funai também ja foi notificada, porém, para essa última, não há um território definido. Quero aproveitar pra dizer que ainda existe outra retomada étnica no Cachimbo (onde os indígenas do Planalto da Conquista foram aldeados ao longo do século XIX), houve uma ação de reintegração de posse nessa localidade, porém, os indígenas permanecem no local.

RONALDO FERRAZ (Historiador/professor): Esta história indígena de nossa região do Planalto da Conquista segue a mesma tônica, o mesmo caminho da história indígena nacional. Há algo que diferencia?

RENATA OLIVEIRA: O papel relegado aos inúmeros povos indígenas no processo de formação da Bahia, bem como do Brasil, ainda é pouco explorado. Os historiadores baianos, recentemente, têm se esforçado para dar visibilidade a grupos que foram silenciados e subalternizados no decurso do tempo. Todavia, se faz necessário sistematizar e divulgar inúmeras pesquisas desenvolvidas, que estão em desenvolvimento ou por serem feitas. Não por acaso o achado de uma urna de sepultamento tupi-guarani, ocorrido em abril de 2020, trouxe uma significante reflexão: a historia indígena baiana jaz sob o solo da “contemporaneidade” mas, ainda assim, está no centro da formação de um povo. Pensando por esse ângulo, ainda há muito para ser pesquisado, porém a escrita da história indígena baiana e em especial do sul e sudoeste da Bahia tem evidenciado a necessidade de se repensar a escrita da história dessas localidades a partir da presença indígena. O livro Índios Paneleiros segue a mesma linha da denominada nova história indígena brasileira, a partir da perspectiva da ação e resistência dos povos originários. Porém, especificamente para cá, a memória foi considerada como o principal suporte para dar conta de preencher as lacunas deixadas tanto pelos registros escritos quanto pela historiografia.

RONALDO FERRAZ (Historiador/professor): Qual a relação da região com a história indígena, já que a nossa população desconhece uma história indígena na região?

RENATA OLIVEIRA: Exatamente. Há um desconhecimento geral acerca dos povos indígenas do Planalto da Conquista e isso tem a ver com os dois mitos de fundação que eu me referi no início dessa entrevista, mas também tem a ver com a ausência de uma discussão sobre a história indígena baiana e local na própria universidade ou universidades localizadas em Vitória da Conquista. Costumeiramente, a sociedade sequer conhece os significados do Monumento ao Índio erguido no centro da cidade, ou mesmo da palmeira imperial dedicada aos Mongoyós na Praça Tancredo Neves. Talvez também não saibam o significado do nome de lugares como a Batalha, Panelas, Porcos, Caboclo, entre outras regiões rurais da cidade. Isso também tem relação com a própria escrita da história do Brasil encabeçado pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro no período imperial que reconheceu os indígenas como parte do povo brasileiro, porém os indígenas exterminados, ou seja os Tupi do litoral. Para os indígenas do interior, os denominados botocudos, só havia dois caminhos: ou o extermínio ou desaparecimento dentro da sociedade brasileira. Então, é muito comum que a sociedade brasileira reconheça apenas o passado indígena (o que não existe mais) e não o presente (o que luta por reconhecimento e território)

JOÃO PAULO PEREIRA (Historiador/Professor): É possível perceber a influência dos povos originários na musicalidade brasileira? Quais os elementos da cultura indígena aparecem de forma explícita no jeito de dançar, na musicalidade, nos costumes do povo brasileiro?

RENATA OLIVEIRA: A influência indígena está arraigada na musicalidade brasileira desde que foi descrita por Jean de Lery no século XVI, quando passou cerca de dez meses entre os Tupinambás na baía do Guanabara, mas também está registrada nos textos de Roquete Pinto, Sodré Viana, Barbosa Rodrigues dentre outros. Um dos maiores compositores que esse país ja teve, Villa-Lobos, influenciou-se pela escrita desses homens para compor boa parte de sua obra. Comecei com Villa-Lobos por se tratar de uma categoria musical extremamente complexa, porém, em partes, inspirada nos cantos ameríndios. Então, há toda uma influência musical indígena na musicalidade brasileira. Os instrumentos como a flauta de madeira, os chocalhos entre outros, além dos sons de pássaros, das águas, podem ser percebidos na composição de muitos artistas atuais. Sem contar que nos arquivos europeus há uma série de partitura de cantos indígenas brasileiros, colhidos por inúmeros viajantes e que hoje compõe um vasto arquivo para a área de etnomusicologia. Já na dança, a influência está sobretudo nos estilos praticados em círculos. Assim, apesar de todo o esforço dos europeus para suprimir os costumes e tradições indígenas quando tentaram impor sobre eles os seus hábitos, a cultura nativa sempre permaneceu forte e presente em nossas vidas: na culinária, na arte, na língua, no folclore, etc. A culinária, por exemplo, traz consigo essa herança, como a mandioca e seus derivados (farinha de mandioca, beiju, polvilho), cujo mito de Mani tem origem entre os Tupi-guarani. O costume de se alimentar com peixes, carne socada no pilão de madeira (conhecida como paçoca). Mesmo não sendo brasileira, a própria domesticação da batata (que nunca foi inglesa e sim Inca) modificou a culinária em várias partes do mundo ocidental, como também a domesticação de diversas sementes como o milho e a abóbora. Vários animais foram por eles domesticados e o próprio capim para o pasto. Entre as bebidas, destacam-se o açaí e o famoso guaraná que hoje é consumindo por uma vastidão de povos no Brasil. Além da influência indígena na culinária brasileira, herdamos também a crença nas práticas populares de cura derivadas das plantas. E claro, a composição de nossa própria língua. Por esse motivo, finalizo dizendo que preservar a cultura e o território dos povos indígenas atuais é preservar a nossa própria identidade.

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