Historiadora Renata Oliveira lança livro sobre os índios paneleiros do Planalto da Conquista

Por Fábio Sena em 05.08.2020 às 04:34


A historiadora conquistense Renata Ferreira de Oliveira lança nesta quarta-feira (5), às 20hs, seu livro “Índios Paneleiros do Planalto de Conquista, do massacre e o (quase) extermínio aos dias atuais”, obra que vem a público pela Sagga Editora e que reivindica a memória da presença e da participação dos povos indígenas na formação da região deste território baiano, buscando superar o apagamento da memória que, a partir das narrativas dos agentes coloniais, dos viajantes europeus e das elites agrárias, destinou aos índios o lugar do desaparecimento, do silenciamento e da exclusão na história regional.

Por causa da pandemia, o livro terá lançamento virtual no Instagram do Proler (Programa Nacional de Incentivo à Leitura) e terá como mediadora a historiadora e professora de História da África da UESB, Graziele Novato (Gal), coordenadora da Área de História e Memória Afrobrasileira e Indígena do Proler. A estudiosa afirma que o livro de Renata Oliveira cumpre a importante missão de reparação histórica: “Renata escreve a primeira obra histórica importante, uma pesquisa concisa, séria, profunda, muito elogiada pela academia, sobre essa presença dos povos originários em Vitória da Conquista. Isso para a história da cidade é engrandecedor, porque nós recuperamos esta parte importante da história invisibilizada pela historiografia local”.

A historiadora argumenta que Vitória da Conquista precisa pedir benção ao POVO DA MATA, “assim como eles se intitulam”, porque por terem sido os primeiros donos e habitantes deste território. “Esta é uma obra primeira e primorosa no processo de reparação da história de Vitória da Conquista, que precisa ser contada a partir da ótica de todos os seus povos contingentes, considerando seus protagonistas, e os protagonistas dessa história são os povos originários desta terra, cujos descendentes ainda se encontram aqui. Em nenhum momento, a gente registra, em termos de extermínio de povos, o desaparecimento total disso. Parece que é um aniquilamento, mas essas coisas são tentativas de apagamento de elementos importantes, constitutivos da história que não querem ver representada e visibilizada”, afirma Graziele Novato.

RENATA OLIVEIRA

Renata Oliveira é professora de História é natural de Vitória da Conquista, embora tenha passado boa parte de sua vida às margens do Rio Pardo, na cidade vizinha de Cândido Sales. Graduou-se em história na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/UESB, onde escreveu sua monografia sobre a memória dos índios paneleiros do Planalto da Conquista. Foi como membro do Grupo de História da África e América Negra/Gephan/UESB), iniciou as pesquisas sobre a memória de comunidades tradicionais.

Na condição de agente da Comissão Pastoral da Terra conheceu e começou um trabalho com o grupo indígena da região da Batalha. Cursou o mestrado na Universidade Federal da Bahia em 2012, sob a orientação da professora doutora Maria Hilda Baqueiro Paraíso, cuja dissertação é o pilar do livro que lança hoje. Renata levou para diversos congressos internacionais e nacionais a memória dos indígenas paneleiros do sudoeste baiano, recebendo inclusive um convite de publicação no EUA.


Doutoranda do programa de pós-graduação da UFBA, com a tese “O vasto teatro civilizatório – os indígenas do Rio Pardo e Jequitinhonha e o problema do uso da mão-de-obra no Brasil imperial – Renata trabalha com diversos arquivos históricos e variados documentos acerca dos indígenas do Brasil. É professora do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais/campus salinas, cofundadora e primeira presidente do Núcleo de Estudos Afrobrasileiros Indígenas da UFBA, sendo editora-chefe da Revista Discentes do programa de pós-graduação desta universidade. Atua em parceria com os movimentos sociais em prol da causa indígena contemporânea.

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