I Congresso Avesb reúne professores para discutir a educação no século XXI

Por Fábio Sena em 29.11.2021 às 02:47

Congresso Avesb
A Associação de Valorização da Educação do Sudoeste Baiano/Avesb promoveu no último sábado (27), em seu primeiro congresso, uma Roda de Conversa com o educador e pedagogo português José Francisco de Almeida Pacheco. A atividade foi dedicada à reflexão sobre os desafios do fazer educacional no século XXI e como romper com métodos que já não dialogam com o mundo contemporâneo.

O presidente da entidade – que congrega escolas particulares da Região Sudoeste – Antonio Landulfo, afirmou que a educação deve ser sempre um ato político e coletivo, concepção que o motivou a dividir os saberes libertários e de gestão democrática escolar do educador José Pacheco com todas as instituições associadas à AVESB e outras escolas convidadas.

“Como bem afirma o educador, a escola não é um edifício, são as pessoas. Portanto, a aprendizagem não depende apenas de estruturas, salas de aula, quadro ou giz, pois é feita de pessoas e é nessas pessoas que todo o sistema de educação deve focar. Este conceito educacional, que mais parece utopia, vem sendo colocado em prática em escolas no Brasil e no restante do mundo”, afirmou Antonio Landulfo.

Ainda segundo Landulfo, o professor José Pacheco é uma referência quando o assunto é promover uma educação inovadora e cujos métodos demonstram eficácia, com evidente melhoria nos indicadores educacionais. “Se queremos mesmo mudar o mundo através da educação, precisamos compartilhar as práticas pedagógicas com todas as instituições públicas e privadas”, afirmou.

Após a apresentação musical do cantador Xangai – atual secretário de Cultura de Vitória da Conquista –, o professor José Pacheco respondeu a diversos questionamentos dos professores, colaboradores e de representantes de alunos do Colégio Sêneca; entre outras coisas, ressaltou que a experiência do ensino remoto mostrou que os docentes sabem lidar com desafios. E, de forma bastante descontraída, cantou ao violão um hino à educação, de sua autoria.


Na visão do educador, o maior desafio do professorado brasileiro é elevar a autoestima e criar uma “educação brasileira”, a partir de autores como Paulo Freire. “É preciso que o professor brasileiro ganhe autoestima e seja protagonista de uma nova escola, porque ela já está aí e é apenas uma questão de afirmação dos professores e da gestão. Eu sou estrangeiro e é muito mais fácil para mim perceber isso. É como Paulo Freire dizia na Pedagogia da Esperança: não nortear, mas suliar, porque é no sul que está a esperança”, afirmou.

O CEO da Camino Education e da Cloe – Mestre em Educação pela Columbia University e doutorando na Universidade Johns Hopkins –, Fernando Shayer, fez uma análise sobre educação e revolução digital, colocando no centro do debate a distância que há entre os métodos e ferramentas oferecidos pelos professores, ainda sob parâmetros tradicionais que atravessaram séculos, estão próximos da realidade dos estudantes da atualidade. Segundo ele, a sala de aula foi desenhada para um outro aluno, num outro momento da história.

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