Senge dedica novembro ao reconhecimento da história de engenheiros negros

Por Fábio Sena em 30.11.2021 às 11:46


O Sindicato dos Engenheiros da Bahia/Senge dedicou todo o mês da Consciência Negra ao reconhecimento e valorização da história de engenheiros e engenheiras negras baianos, destacando o papel desempenhado por cada um deles desde o Império até os dias atuais.

O diretor de comunicação do Senge, engenheiro Ubiratan Félix, protagonizou uma “live” pelo canal da entidade no Youtube e argumentou que, em geral, quando se pensa na contribuição do negro para a sociedade brasileira, fala-se muito na cultura, na dança, na música, na gastronomia, no trabalho braçal, na lavoura do cana-de-açúcar, mas não se pensa na contribuição tecnológica.

“Outra visão que temos deturpada é de que o negro teria tido um papel passivo no processo abolicionista, que seria um movimento de fora pra dentro. São versões equivocadas do ponto de vista histórico”, afirma Ubiratan, segundo quem a mídia, especialmente a televisiva, foi responsável para construção desta mentalidade, “especialmente novelas que romantizaram o processo da luta contra a escravidão”.

Irmãos Rebouças

André, Antônio de José Pinto de Rebouças, nasceram na primeira metade do Século XIX em Cachoeira Bahia, eram filhos de Antônio Pereira Rebouças que era “Rabula ou advogado comissionado” e deputado Geral do Império. Seu tio era o Professor da Faculdade Medicina Dr. Manuel Mauricio Rebouças. Os três de diplomaram na Escola Militar do Rio de Janeiro. Eram abolicionistas e defensor da Monarquia Brasileira. Construíram a Estrada de Ferro Curitiba – Paranaguá, obras portuárias no Rio de Janeiro, Santos entre outras. Ao de Macha de Assis, José do Patrocínio, os irmãos Rebouças foram representantes da pequena da classe média negra no segundo império e uma das vozes mais importantes em defesa da abolição.

Entre setembro de 1882 e fevereiro de 1883, Rebouças permaneceu na Europa, retornando ao Brasil para dar continuidade à campanha pela abolição da escravatura. Após abolição, veio também a queda do império, e, assim, em 1889, André Rebouças embarcou, juntamente com a família imperial, com destino à Europa. Por dois anos, ele permanece exilado em Lisboa, como correspondente do The Times de Londres, transferiu-se para Cannes, onde permaneceu até a morte de Pedro II em 1891. Em 1892, Rebouças aceitou um emprego em Luanda, onde permaneceu por 15 meses. A partir de meados de 1893, residiu em Funchal na Ilha Madeira, até sua morte no dia 9 de maio de 1898. Construtores da infraestrutura ferroviária e portuária no Brasil.

Engenheira Civil Maria José Salles Nascida em Juiz de Fora – MG, é graduada em Engenharia Civil na Universidade Federal de Juiz de Fora, Mestra em Saneamento Ambiental e Doutora em Ciências pela ENSP da Fundação Oswaldo Cruz. Pesquisadora e Professora Titular do Departamento de Saneamento de Saúde Ambiental da Escola Nacional de Saúde Pública da FIOCRUZ. Maria José tem várias publicações e trabalhos técnicos na área de saneamento Ambiental. Foi a primeira mulher negra diretora da Federação de Sindicatos de Engenheiros e do Clube de Engenharia de Engenharia de Juiz de Fora. Engenheira da Saúde Pública


Engenheiro Civil Areobaldo Oliveira Aflitos: Nascido em Salvador – Bahia, é graduado em Engenharia Civil pela Universidade Federal da Bahia, Mestre em Geotecnia pela Universidade Federal da Paraíba, Professor Titular da Universidade Estadual de Feira de Santana, Engenheiro pesquisador do CEPED. Autor de diversos projetos e obras na área de Geotecnia, Barragem, obras viárias, estabilização de taludes e encostas, adutoras de Pedra do Cavalo entre outra. Professor e Mestre da Geotecnia Baiana.

Engenheiro Eletricista Caiuby Alves da Costa nasceu em Niterói (RJ), formando-se em Engenharia Elétrica em 1965 na Escola de Engenharia da UFF. Veio para Bahia em janeiro de 1966, pela Petrobrás. Cursou Engenharia de Equipamentos, no então CENAP, na Escola Politécnica da UFBA. Trabalhou na Petrobras e após na COELBA, SAER, CIMENTO SALVADOR, PNEUS TROPICAL, e CEPED. Participou ativamente nas diversas atividades de engenharia, como consultor autônomo. Lecionou em diversos cursos tecnológicos. Em 1978 foi para a França onde fez especialização em Energia Elétrica na Ècole Superieure d’Electricité (SUPELEC) e doutorado na Universidade de Paris XI.

Retornou a Bahia no final de 1983, reingressando no CEPED e, posteriormente na Escola Politécnica da UFBA, onde lecionou até sua aposentadoria compulsória. Academicamente, desenvolveu atividades de pesquisa, ensino e gestão tendo sido Diretor da Escola politécnica, membro de Comissão de Avaliação do MEC-SESU, quando visitou várias regiões do País, Vice-presidente da Sociedade dos Engenheiros de Petróleo do Recôncavo, Diretor do SENGE-BA, Conselheiro do CREA-BA, da FEP e da APUB.

Escreveu “As Técnicas, a Engenharia e a Tecnologia no Brasil através da sua História: Uma visão sintética 1500- 2000 “, obra não publicadas e livros sobre a Escola Politécnica da Bahia, uma biografia: “Arlindo Fragoso: O Construtor de Futuros “e, “Novos Mitos e Velhas Realidades”. É coautor de” Água de beber Camará” Engenheiro de Inovação e da construção da tecnologia baiana.


Engenheiro Antônio Joaquim de Souza Carneiro Antônio Joaquim iniciou precocemente a sua carreira universitária. Nos anos seguintes à sua efetivação na Politécnica, Souza Carneiro se dedicou com afinco ao ensino das disciplinas de geologia e áreas afins e ao estudo da diversidade natural e mineral do estado da Bahia. O esforço resultaria numa primeira leva de trabalhos técnicos que colocaria seu nome em evidência na vida pública e intelectual brasileiras. Entre os trabalhos mais significativos estão algumas pequenas monografias sobre variedades de mamíferos, insetos, moluscos, madeiras “de construção” e toda espécie de plantas oleíferas e medicinais. Destaca-se especialmente o volume Riquezas minerais do estado da Bahia (1908), estudo que rendeu ao autor o Grande Prêmio da Exposição Nacional de 1908, realizada no Rio de Janeiro como parte das comemorações do centenário da abertura dos portos brasileiros. Em 1912, com a eleição de J. J. Seabra, Souza Carneiro é nomeado para “Engenheiro-Chefe da Comissão Geográfica e Geológica do Estado, Chefe de Estudos da Rede Baiana de Ferro” e, por fim, “Superintendente dos Serviços de Gás e Eletricidade de Salvador” Em 1932, ao ser “aposentado à força por motivos políticos”, passaria a morar no Rio de Janeiro, conseguindo obter a cátedra de estatística na Faculdade de Ciências Econômicas, da Universidade do Distrito Federal. Em 1937 retornava a Bahia e consegue reaver a sua cátedra na Escola politécnica da Bahia, falecendo em 1942. Pioneiro do Ensino da Engenharia na Bahia.

Engenheiro Teodoro Sampaio: Nascido em Santo Amaro – Bahia, se graduou em 1877 na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, vindo a compra carta de alforria para seus dois irmãos, participou da fundação da Escola Politécnica e do Instituto Geográfico de São Paulo, além de ter ocupado o cargo de Engenheiro da comissão Geológica e geográfica de São Paulo. Foi responsável por obras de saneamento em diversos Estados Brasileiros. Pioneiro do Saneamento e da Geografia no Brasil.

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